domingo, 8 de dezembro de 2019

Eu sempre Aqui!!


Doses Racionadas de Amor

Ela sempre desejou “a servidão dos fracos e a proteção dos fortes”.
Sim! minha bajulação é seu sonho de consumo,
Sua torre forte que lhe faz forte.
Meu coração apaixonado é um brinquedo desmontável em suas mãos,
Ferramentas hábeis, adestradas e afeitas a atrocidades.
Eu me alimento das doses racionadas de “amor” que me dá:
Sorrisos reticentes, migalhas de atenção, e rascunhos de beijos.
Tudo isso me garante escravo por tempo indeterminado,
Sonhando com céu por temer o inferno (o fim do casamento),
Fazendo-me fiel a um deus (deusa) e infiel a mim.
Ah...é isso!Meu amor é uma auto traição.
...que tragédia: simultaneamente, traído e traidor.
E ela, sem a misericórdia comum aos deuses que se prezam,
Debocha de mim, caçoa da minha condição degradante,
Diverte-se às minhas custas:
Todo dia pago o tributo que lhe é devido;
Pago o preço sem se quer saber o valor (de viver assim).
Sou um servo emocional de uma senhora má,
Que também é senhora de si (parece),
Que é tão determinante para minha alegria com sinal trocado,
O prelúdio de uma felicidade ilusória,
O qual aponta para “o futuro de uma ilusão”.
É ilusão (vestígio de razão em mim), sim!
Porque é impossível ser feliz sem dignidade e totalmente subjugado. 


Ausência e Solidão

Nunca na minha história a ausência foi tão evidente.
Escondo, em vão, de mim esse peso pois apenas suspeito.
Camuflo, com sucesso, aos olhos dos outros o que me dói.
Sim, ausência é dor!
Uma dor que já me sujeitou (e sujeita) aos mais sujos papeis,
Às mais imorais poesias, e inconfessáveis desejos.
Antes era só lamento e queixa: “por que eu?”.
Hoje, julgando-me antigo (experiente),
Aprecio todos os pontos da ausência, minha “contemplação carinhosa da angústia”.
A ausência que me preenche, que me acompanha,
Que me direciona, ...e dorme comigo.
Ah, essa ausência é solidão;
Só pode ser solidão.
Qual sentimento outro se daria o trabalho de mim?
É...eu sou trabalho infindável, um desconforto mil,
Fonte de sentires antagônicos.


Jardim de flores amarelas

Sonhei há muito, com um jardim de flores amarelas
E com bancos de concreto a espera de mim.
Ainda penso nesse sonho de outrora,
Receando que já tenha acontecido,
Passado por mim, e ficado no passado.
Ponho a cabeça para fora de mim
E enxergo além dos dias cinzas
Em que a tristeza me rende,
Molhando meu rosto...
E posso projetar um sorriso
A despeito de todos os impedimentos,
Descontentamentos mil.
Embora seja antigo em mim
O jardim se mantém intacto
Para esperançar minha estrada,
Florir minha fatal jornada rumo ao nada,
Ao vazio do “ir para nunca mais”.
De onde não sei para não sei onde. Simplesmente ir.
Deixar-se ir por vontade para ver até onde vai
A força de uma vontade sincera.


Feito Bôbo

Hoje tô feito bôbo, relendo poesias velhas,
Poesias decíduas em meu duradouro outono.
Busco em vão (receio) vestígios de ti,
Um cheiro de tempo moído em alguma entrelinha,
Um prazer, fugidio que seja,
Uma oração sucinta.
E por mais que eu te lembre longe
Mais longe fico do que preciso ser,
E do que quero.
E o que eu quero?
Ser mais eu e comigo sempre.


Eu Vulnerável

Aqui estou eu vulnerável, vivendo provisoriamente
Como Bandeira em tuas mãos, nas mãos do vento,
Fazendo de minha poesia um pedido de socorro
Que não tenho coragem de pedir de outra forma.
E eu não sei em quais casas tem meu coração feito casa.
Perto de ti sou tão paradoxal:
Sinto-me mais forte e ao mesmo tempo indefeso,
Sem armas para lutar,
Sem disposição para ser livre,
Como nos tempos antes de você.


Arrependimento Eficaz

Nas minhas condições atuais de tristeza e medo,
Eu simplesmente me limito a cavar trincheiras
Buscando esconderijo eficaz,
Um arrependimento que valha uma virgula,
Que me abrace e se possível me beije o rosto.
E se hoje eu morrer de repente e lento,
Não se tratará de morte literal
Mas de um desaparecimento oportuno,
Um recolhimento sadio;
Pois apenas morre quem está vivo;
Sinto (desconfio) que jamais estive.
Sim, e agora que criei coragem o bastante
Desaparecerei de
vagar e por devagar de mais
Sobre minhas imperfeições, cismas e faltas.
Sim, e são tantas faltas, que a ausência me resume bem.
Afinal, sou a negação de tudo que me sabota
E me priva do bem que tanto estimo,
Do satisfazer-se com o calor do fogo e o cheiro de mulher.


Coração a Prova de Burla

Das desilusões que tive você foi a melhor, a que me fez mais forte e superar eternos conflitos e conhecer outros. Graças a você hoje vivo bem mais e mais livre me sinto; afinal, depois de você descobri a liberdade que eu nem imaginava que existia.
Hoje sou bem mais que íntimos alardes, buscas incessantes, desencontros mil. Passei, num passe de mágica, de desatento a morbidamente introvertido; de excessivamente risonho a triste. Mas de uma tristeza séria (ao pé da letra) e minimamente calculada; sim, na medida certa.
Ah!Graças a você, minha linda musa e perfeita algoz, agora tenho um coração fortificado, sitiado pela razão e pelo cuidado (que por mais que sobeje, é pouco).
E não mais me engano.

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Há mais de 10 anos tinha pensado em suicídio. Não teve um dia nesses últimos anos que eu não flertasse com o suicídio. Aliás, o que me fez t...